Desde a sua fundação em 1928, a CIGB tem propiciado uma série de atividades sem precedentes no desenvolvimento dos conhecimentos técnicos relativos a barragens. A formação de uma entidade apolítica, de âmbito internacional, com objetivo de propiciar o desenvolvimento da tecnologia aplicada a barragens, foi sugerida a primeira vez por engenheiros que participaram do 5º Congresso de Energia Hidroelétrica e do Congresso do Desenvolvimento da Ciência, em Grenoble, França, em 1925.
Esses engenheiros tiveram a idéia de estabelecer um fórum internacional para estudo exclusivo dos problemas específicos relativos a grandes barragens. Esse propósito foi novamente examinado por ocasião da reunião da Conferência Mundial da Energia, realizada em Basel, Suíça, em 1926. Ficou então decidido que engenheiros franceses tomariam a iniciativa de formular as modalidades do estabelecimento de uma comissão técnica internacional, para atuar no domínio de barragens.
Em 1928 foi realizada uma reunião, por ocasião do Congresso da União Internacional dos Produtores e Distribuidores de Energia Elétrica, em Paris, com a participação dos representantes dos Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Romênia e Suíça, tendo sido instituído um comitê executivo provisório com escritório central estabelecido em Paris.
Em 1930, uma reunião do comitê executivo teve lugar em Berlim. Foi decidido que a Conferência Mundial de Energia patrocinaria a Comissão Internacional de Grandes Barragens dando-lhe completa autonomia técnica e financeira. Em vista do intenso crescimento da Comissão e da importância que esta ganhou no domínio da difusão dos conhecimentos técnicos, foi julgado oportuno seu desligamento da Conferência Mundial de Energia , o que ocorreu em 1969.
A fim de promover seus objetivos, a CIGB organiza congressos internacionais nos quais trabalhos de elevado valor técnico, elaborados por especialistas de diversas procedências, são apresentados, examinados e discutidos, propiciando a queda de fronteiras no campo da técnica relativa a projeto e construção de barragens. O primeiro congresso da CIGB foi realizado em Estocolmo, em 1933, sendo sucedido por outros congressos sempre espaçados de três anos, a menos no período a II Guerra Mundial.
As informações colhidas nesses congressos, sob forma de trabalhos, conferência e debates, representam uma cronologia completa dos progressos tecnológicos realizados no mundo inteiro nos domínios da engenharia civil e das disciplinas correlatas aplicadas a barragens. A CIGB já realizou vinte e dois congressos, tendo despertado crescentes interesses, como indicado a seguir:
Congressos Realizados |
| Congresso |
Ano |
Local |
Nº Países
Membros |
| 1 |
1933 |
Stockholm |
21 |
| 2 |
1936 |
Washington |
26 |
| 3 |
1948 |
Stockholm |
25 |
| 4 |
1951 |
New Delhi |
29 |
| 5 |
1955 |
Paris |
38 |
| 6 |
1958 |
New York |
43 |
| 7 |
1961 |
Roma |
47 |
| 8 |
1964 |
Edimburgh |
52 |
| 9 |
1967 |
Istambul |
61 |
| 10 |
1970 |
Montreal |
66 |
| 11 |
1973 |
Madrid |
69 |
| 12 |
1976 |
México |
74 |
| 13 |
1979 |
New Delhi |
71 |
| 14 |
1982 |
Rio de Janeiro |
71 |
| 15 |
1985 |
Lausanne |
77 |
| 16 |
1988 |
São Francisco |
78 |
| 17 |
1991 |
Viena |
78 |
| 18 |
1994 |
Durban |
80 |
| 19 |
1997 |
Florença |
82 |
| 20 |
2000 |
Beijin |
80 |
| 21 |
2003 |
Montreal |
75 |
| 22 |
2006 |
Barcelona |
82 |
Um grande número de valiosos documentos técnicos emanou dos trabalhos dos comitês constituídos por membros individuais de diferentes nacionalidades. Encontram-se presentemente em atividade os seguintes comitês: aspectos computacionais para análise e projeto de barragens, aspectos sísmicos do projeto de barragens, hidráulica para barragens, concreto para barragens, materiais para barragens de aterro, meio ambiente, segurança de barragens, sedimentação de reservatório, barragens de rejeitos & lagoas de deposição de rejeitos, registro mundial de barragens e documentação, operação, manutenção e reabilitação de barragens, consciência publica e educação, comitê consultivo do presidente, domínio de projetos de barragens, rios compartilhados, barragens e enchentes, missão e estratégia da CIGB, papel das barragens no desenvolvimento e gerenciamento das bacias fluviais, avaliação econômica & financiamento de projetos de barragens, já tendo sido publicados 120 boletins técnicos.
Esses boletins, após terem sidos redigidos no âmbito de cada comitê técnico, são submetidos à aprovação de todos os comitês nacionais, representando, assim, o estado da arte da matéria sobre a qual versam, na data de sua publicação. Tendo em vista o progresso tecnológico, vários boletins foram reeditados e atualizados.
COMITÊ BRASILEIRO DE BARRAGENS
Aspectos Institucionais
O Comitê Brasileiro de Barragens (CBDB) tem atuação em âmbito nacional, análoga à CIGB. Após a Assembléia Geral, o órgão superior do CBDB é seu Conselho Deliberativo constituído pelos ex-presidentes e por mais dezoito membros, sendo seis eleitos pelos sócios mantenedores e coletivos e doze pelos sócios individuais. O órgão executivo do Comitê é sua Diretoria composta por cinco membros do Conselho Deliberativo, sendo um Presidente, um Vice-Presidente, um Diretor-Técnico, um Diretor de Comunicações e um Diretor-Secretario. As finanças são verificadas pela Comissão Fiscal constituída por quatro membros, dois efetivos e dois suplentes. A sede do Comitê é no Rio de Janeiro, à Rua Real Grandeza, 219, bloco C, sala 1007, CEP: 22.281-031, havendo os núcleos regionais em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás/Brasília, Rio de Janeiro.
Histórico
Ao regressor do segundo Congresso Internacional de Grandes Barragens em 1936, o engenheiro Francisco Saturnino de Brito Filho trouxe o propósito de criar no Brasil uma entidade filiada à Comissão Internacional, tendo encontrado grande receptividade por parte do engenheiro Luiz Vieira que conduziu inicialmente a então instituída Comissão Brasileira de Grandes Berragens.
Entretanto, ainda na década de trinta com o afastamento de engº Luiz Vieira do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, a Comissão Brasileira teve suas atividades paralisadas e somente cerca de vinte anos após, em 1957, veio a ser reativada a partir da iniciativa do engenheiro José Cândido Castro Parente Pessoa. A Comissão Brasileira então recriada obteve isenção dos pagamentos devidos à Comissão Internacional e foi indicado para presidi-la, o engº Casemiro José Munarski, tendo sido substituído em 1960 pelo engº Antônio Alves de Noronha que presidiu a Comissão até o ano seguinte.
Neste período a presidência da Comissão Brasileira era exercida por indicação do Ministério de Viação e Obras Públicas, tendo o engº Lúcio Washington sido o diretor secretário. Mais uma vez, por questões burocráticas, não foram efetuados os pagamentos das anuidades à Comissão Internacional. Em última instância, algumas empresas se reuniram, se cotizaram e enviaram, em 1961, os pagamentos em atraso. Tendo em vista o grande salto que estávamos começando a experimentar, principalmente na área energética, na virada dos anos cinqüenta para os anos sessenta, tornou-se necessária uma dinamização da entidade brasileira filiada à Comissão Internacional.
Nessa época o país evoluía da construção de barragens baixas e médias (há somente cinco anos antes havia sido concluída a primeira barragem de altura superior a 50m, em Boqueirão das Cabaceiras) e de hidroelétricas de pequena capacidade instalada, para barragens e hidroelétricas como Paulo Afonso, Furnas, Três Marias e Jupiá, ingressando numa era de obras de grande vulto. Motivados pelo acima exposto, engenheiros que naquela época estavam assumindo gradativamente as responsabilidades das atividades técnicas relacionadas à implantação de barragens no país, se reuniram em assembléia geral no dia 25 de outubro de 1961 no Clube de Engenharia, no Rio de Janeiro, para fundar e aprovar os estatutos do Comitê Brasileiro de Grandes Barragens.
Foi eleito no ano seguinte, para presidente, engº Flávio H. Lyra que exerceu este cargo através de três reeleições, até 1976. Presentemente o Comitê é dirigido pela sua décima sexta diretoria, que, a exemplo das anteriores, foi escolhida pelos membros do Conselho Deliberativo que são eleitos a cada três anos pelos associados.